segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cesariana ou parto normal

Eu, que já vivi ambas as situações, sou peremptória: parto normal.



Se há dores? Há. Se mete medo? Sim. Mas, depois de termos o bebé, a dor passa. Há uma sensação de paz, de alívio. E quando somos chamadas a cuidar do nosso bebé, conseguimo-lo de uma forma mais ou menos desenvolta. Coisa que não acontece no período a seguir a uma cesariana.



Há que ter em conta que a cesariana é uma cirurgia. E que, por isso, o período que lhe sucede é um pós-operatório com tudo o que essa situação acarreta: dores intensas, uma costura com a qual há que ter muito cuidado, para não falar que nos "espremem" a barriga para libertar eventuais impurezas (isto, com a cicatriz da cesariana...ui!ui!). Portanto, cuidar de um recém-nascido nestas condições, há que admiti-lo: é um pouco difícil.



Eu apenas defendo a cesariana quando a situação o exige. Cesarianas por marcação (é a essas a que me refiro) - embora quem deseje esteja no seu pleno direito -, parece-me um pouco abusivo. Há que dar espaço à Natureza para agir.


Não porque ache que uma mulher é menos mãe se tiver um parto por cesariana (é uma ideia um pouco estúpida, além de cruel - muitos bebés poderiam ter sido salvos se tivessem nascido por cesariana.), mas porque, pela experiência que tive, achei ser melhor um parto normal.


Salvo algumas excepções - em que, claramente, à partida, a anatomia da mulher não permite um parto normal -, todas nós deveríamos ser encorajadas a confiar no nosso corpo.

I didn't know I was pregnant

Em tempos, via este programa. Sempre me meteu confusão como é que alguém não se apercebia de que algo estava diferente com o seu corpo. Mas acontece. Quando não se está à espera de algo, não se considera essa hipótese, ainda que haja sintomas. E penso que é por isso que as mulheres não se dão conta que estão grávidas. Atribuem todos os sintomas a outra causa, que não essa. E muitas vezes, deixam andar porque não lhes parece nada que careça de observação médica. Por exemplo: uma mulher que sofra de retenção de líquidos e prisão de ventre. Mesmo sem gravidez, essa mulher tem tendência a inchar, o ventre dilata, e sente os movimentos intestinais. Ora, mal comparado é, mas a verdade é que os sintomas de gravidez fazem lembrar estes. E se esta mesma mulher tem períodos irregulares, ou continua a tê-los, faz contracepção...alguma vez ela vai pensar que está grávida? Eu não pensaria, até que o tamanho da barriga denunciasse que algo não estava, definitivamente, normal...



Eu tive um caso desses na família: uma tia só se apercebeu da gravidez já a mesma ia com um tempo considerável. Imagino o choque, quando se apercebeu! É que, ainda por cima, não era a primeira vez que estava grávida!!!!



Eu não sei se estaria preparada para uma surpresa dessas: estar tranquila, na minha vidinha, a pensar que estaria tudo na maior...quando, num momento, explodo de dores e me dizem que "a dilatação está completa"!

Cof, cof

Quando me soube grávida, deixei de fumar (fumava cerca de um maço diariamente). Erro: dois meses depois, estava a bater com a cabeça nas paredes, ansiosa, quase matava por um cigarro que fosse!

Informei-me junto da médica que me acompanhava a gravidez e ela disse que, a não conseguir mesmo deixar o tabaco, que podia fumar até cinco cigarros por dia (mais do que isso, as substâncias nocivas chegavam à placenta). Mea culpa, eu sei, mas até às 18 semanas fumei cerca de um a três cigarros e nem era todos os dias. Depois, deixei completamente até há coisa de uns sete meses atrás. Um período mais tenso na minha vida serviu de desculpa para voltar ao tabaco. Mas também não mais do que três diários.

Há semanas, tive uma faringite. Deixei novamente. E agora espero não me armar em parva outra vez e voltar àquela merda! É que não percebo este vício: prejudica-nos a saúde, a aparência, a carteira e mesmo assim...continuamos a dar-lhe! Há que contrariar o corpo.

Do sono....ou da falta dele...

Não há tarefa mais árdua que criar um filho. Não há fórmulas exactas, e nem sempre agimos como é suposto.

Ainda assim, acredito que é das coisas mais fascinantes da vida. Assistir e participar do nascimento e crescimento de uma vida - que quisemos gerar - é impar! Mesmo naqueles momentos em que somos vencidos pelo cansaço, que a nossa paciência parece esgotar-se!

Este fim-de-semana, senti-me estupidamente cansada, sem paciência, e a "dormir em pé".

Dois anos sem dormir uma noite completa (as únicas noites que ELE dormiu de seguida, eu, feita parva e em vez de aproveitar, ia ver como ele estava) dá nisto.

A culpa não é dele. É minha, por o habituar mal. E agora estou de tal forma cansada, que vai custar ainda mais reverter o processo. Isto só prova que o caminho mais fácil acaba por dar em becos de onde é difícil sair!

Mas tenho de o fazer. Para o nosso bem.

Mais um desafio. Mas é disso que é feita a vida.

E, volto a dizer: criar um filho é das coisas mais fascinantes que há. Mesmo com noites mal dormidas.

Daqui a alguns anos, os desafios serão outros - e bem maiores que educar o nosso filho a dormir uma noite inteira.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não acredito em signos

Nem do Zodíaco ocidental, nem do oriental. Existem as constelações relativas a esses signos, eu sei, mas daí a que o nosso modo de ser esteja ligado a isso, não acredito.
Da mesma forma que não acredito em coisas predestinadas. E se é aleatório, ou não, é coisa em que nem penso.
Se tudo já estivesse escrito no céu, a vida não tinha piada, e nós não seríamos mais que seres condicionados pelo destino. Não conheceríamos o sabor do desafio.
Não. Eu acredito que as coisas acontecem, simplesmente porque acontecem. E se é a mim e não a outro, é porque ou tenho responsabilidades nisso ou, não tendo, é porque tenho dentro de mim a resposta necessária a essa situação.
E é com isso que nos vamos conhecendo como pessoas.
Há uma frase, de Júlio César, que resume muito bem isto: “Os homens, em certos momentos, são senhores dos seus destinos. O erro, caro Brutus, não está nas estrelas, mas em nós”.

We've got the Power!

Jingle Bells

Pegando um pouco neste assunto, lá por casa também costumamos apenas dar presentes aos miúdos. O Natal é deles, há aquela magia do bater a meia-noite e ver a árvore com as prendas, enfim...

Este ano vamos incutir-lhes o espírito solidário e convidá-los a doarem aqueles brinquedos com que brincam menos (e que estejam em bom estado), explicando-lhes que há meninos que, embora gostassem, não têm quem lhes possa dar prendas no Natal.

É uma boa forma de passarmos a ideia de que, mais do que brinquedos novos no sapatinho, o Natal é partilha com aqueles que têm menos que nós.

O meu pai

Não é tanto pelas palavras, mas mais pelo seu exemplo de vida, que ele me tem ensinado a ser positiva e a ter sempre esperança.

A vida dele é, antes de mais nada, um apelo vivo de que tudo é possível.

Cegou com 24 anos, depois de ter combatido no Ultramar. Casou teve os seus filhos já cego. Ensinou-nos a conduzi-lo e, com quatro anos, já nós (eu e o meu irmão) iamos a Lisboa sózinhos com ele, onde quer que fosse.

Perdeu o meu irmão mais velho, "viu" o meu irmão mais novo ser destruído por uma doença incurável, e manteve-se ao lado da minha mãe durante a sua agonia com o cancro. Meses depois de ter enviuvado, descobre-se também com um cancro, mas "apanha-o" a tempo e trata-se.

Vive sozinho, visita todos os dias o meu irmão no lar (ou, quando calha, no Hospital - para onde tem de ir ocasionalmente para ser reavaliado).

Mantém uma energia invejável, todos os dias faz exercício físico e, no que lhe é possível, cuida da casa e da roupa - ele passa a ferro como ninguém, acreditem!

Se ele está deprimido? Nunca o vi baixar os braços para nada!

Ajudo-o no que posso, mas reconheço que deveria fazer muito, mas muito mais por ele. Porque aquilo que ele me dá nunca poderei compensar.

Mas os pais são assim mesmo: o amor deles é incondicional. E eu sinto-me uma sortuda pelo excelente pai que Deus me deu.