terça-feira, 28 de agosto de 2012

E assim vão os dias...

...a decorrer numa rotina certa, como se fossem uma máquina bem oleada, previsível.
Levanto-me com o David, pouco depois do meu senhor sair para o trabalho. Tomamos o pequeno-almoço, saímos e vamos dar uma volta pelo bairro enquanto não faz calor. Faço as compras do dia, o David vai ao parque brincar um pouco e voltamos para casa. Faço o almoço enquanto o David brinca ao pé de mim. Almoçamos e depois ele dorme a sesta. E é nesta altura que trato da loiça, da roupa e me atiro ao pc e pesquiso ofertas de emprego.
Cerca de hora e meia, duas horas depois, o David acorda. Lanchamos e ele volta para as brincadeiras dele, enquanto alinhavo o jantar. O senhor regressa do trabalho, jantamos relativamente cedo.
Adormeço o David, dou um lamiré nas ofertas de emprego que entretanto saíram, envio uns cv. Depois, fico à conversa com o meu senhor até ir dormir.
Gosto assim. Não fosse o pequeno grande pormenor de estar ainda sem emprego. E sem subsídio a coisa fica mesmo feia. Tenho de ser criativa para o orçamento esticar e não começar a ter dívidas! Já disse que tenho horror a dívidas?
Quando tenho dinheiro, é a primeira coisa a despachar: as contas fixas. O que sobrar fica para as compras para a casa, alimentação e pouco mais. Tem de ser assim.
E muito agradeço a ajuda do meu pai! Sempre vai dando para safar!
Mas tenho esperança que a coisa mude e que dentro de pouco tempo arranje um trabalho.
Sou adepta da máxima: "Não há mal que sempre dure!"

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Back from the dead

Muita coisa se passou nestas últimas semanas de ausência do blogue - as minhas desculpas por isso -, mas de todas destaco esta: a minha gata Flor foi operada e já se encontra esterilizada.
Tudo devido a uma infecção que, inicialmente, julgámos ser uma possível gravidez devido à barriga inchada e ao facto de, na passada segunda-feira, a gatinha ter literalmente rebentado naquilo que julgávamos, assim, ser a bolsa de águas! Um mar de líquido que, ao fim de algum tempo em sofrimento, não prenunciou a vinda de nenhum gatinho! Se os houvesse, então estavam em dificuldades para sair!
Eu e a Sara (estávamos eu, a Sara e o David em casa, o meu senhor encontrava-se a trabalhar) achámos estranho e resolvemos ir ao veterinário daqui da rua.
Raio -x e palpação. Nada de gatinhos. Por exclusão de partes, chegou-se ao diagnóstico da infecção uterina. Sentença: operação ou morte! A coisa estava mesmo feia e não iria passar com antibióticos!
Foi esterilizada ontem, tendo corrido tudo bem! A médica mostrou-me o útero que retirou da gata e de facto era assustador! Tinha quase o triplo do tamanho! Não haveria ela de ter a barriga inchada!!!!
Agora...não há mesmo gatinhos para ninguém!
Mas recuperámos a nossa gatinha! Está tão diferente! Para melhor!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Porque

o que defendo vem de dentro, por ter errado e sabido aceitar as consequências e ter crescido. Não tem a ver com teorias, mas sim do que, a mal ou bem, vivi e aprendi.
Não me defino por aquilo que faço, pois sei que todos trilhamos os nossos caminhos por tentativa e erro.
O problema é quando passamos a defender e a justificar os erros, tendo-os como certos e normais.
Nunca disse que sou perfeita, ou que nunca escolhi caminhos que depois vi não serem os mais acertados.
Sempre me pautei por aquilo em que acredito, mesmo que me estatelando contra a parede.
Não me importo que me julguem, pois admito que a verdade não está - nem pode estar - ao alcance de todos. Do que me acontece, do que sei, do que vivo, não tenho por que me esconder.
Por isso, de tudo o que se escreve neste blogue, lamento, nada é forçado, intelectualizado ou escrito por um fariseu. Nasce da vontade de melhorar todos os dias, assumindo, sim (e por que não?), o mal que se faz à procura não do perdão de outrém, mas do auto-perdão.
Este blogue é livre, todos podem comentar ainda que de forma anónima e sem moderação de comentários.
Mas outra coisa é ser-se parvo ao ponto de admitir mentiras a nosso respeito. E ninguém se pode aproveitar do facto de este blogue ser de livre acesso para desrespeitar quem quer que seja: desde a dona do mesmo, aos visitantes, passando pelos leitores e comentadores.
Quando se entra na casa de alguém, não se suja o chão, não se dizem palavrões em voz alta, nem se achincalha os presentes.
Se há algo a apontar, que seja de forma educada, ordeira e com argumentos válidos. E, de preferência, conhecendo todos os dados de uma equação.
Por isso mesmo, o blogue continua, mas com algumas alterações. Quando o bom senso não prevalece, sujeitamo-nos a decisões de terceiros.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Morreu na praia...

Há pouco, um telefonema. Do lado de lá dizem-me para começar a trabalhar segunda-feira. #pulosdecontente
A treta: é num sítio um bocado fora de mão, no entanto, perfeitamente acessível se eu tivesse carro, uns 20 minutos, ou um pouco mais, vá, se apanhasse trânsito!
Tudo porque não tenho transportes directos para aquela zona e para lá chegar devo perder umas duas horas (sem contar com atrasos, autocarros que falham...) e dar meia volta ao distrito de Lisboa (pelo menos circular entre três concelhos: Sintra, Amadora e Oeiras)! Já nem vou falar no preço do passe (ou dos passes)...
Era por duas semanas, mas seriam duas semanas a receber muito bem vindas!
Aiiieeeeeeee....!!!!
Já viram a falta que um carro faz?
Amuei. :P

PS: Felizmente, tenho um amor fantástico e parece que a coisa vai resolver-se. Por isso, é oficial: segunda-feira começo a trabalhar!

O segredo

Muitas pessoas sabem da história da minha família:
O meu pai, que cegou aos 24 anos e que casou e formou família já nessa condição, e hoje um sobrevivente oncológico.
A minha mãe, com uma deficiência motora sequente de um acidente e de tuberculose óssea (já faleceu com um tumor maligno).
O meu irmão, hoje com 31 anos, com uma doença congénita cujos sintomas só se manifestaram na adolescência e que o atirou permanentemente para uma cama, sem andar e sem falar aos 17 anos.
Eu, com um incío de vida quase trágico devido a uma gastroentrite bacteriana que me ia matando.
O meu irmão mais velho que morreu por o deixarem cair na maternidade.
Recusamos a condição de vítimas. O segredo? Rirmo-nos todos os dias. Sempre fomos gozões com a vida, apesar das lágrimas e dos momentos de tristeza.
Quando estou mais melancólica, vem à minha cabeça as gargalhadas da minha mãe, aquelas gargalhadas de chegar as mãos à barriga e as lágrimas aos olhos e que punham uma sala inteira a rir também.
A felicidade não é a multiplicação de prazeres e de boas sensações: é saber que, apesar de todas as dificuldades, não há mal que sempre dure. E ainda que dure, estamos bem acima do que nos acontece, porque somos mais do que aquilo que nos acontece. Não é negar ou fingir, é saber lidar com e escolher entre encolher os ombros ou aprender a viver com aquilo que a vida nos traz.
Visto de fora, parece impossível. Mas é no meio da tormenta que podemos ver com mais clareza que os problemas podem ter a dimensão que quisermos que eles tenham. Por isso, perante o mesmo estímulo, perante a mesma situação, existem tantas abordagens e reacções diferentes.
Somos nós que fazemos a diferença. É difícil, mas é libertador.
É a única coisa que eu peço a Deus: não um milagre de cura, não que me saia o Euromilhões, mas que eu saiba estar à altura de todos os desafios que tenho pela frente.
O resto sei que virá por acréscimo!


Três anos depois

Já contei que o David, quatro dias depois de ter nascido, e enquanto estava a fazer um tratamento contra a icterícia, teve um episódio sugestivo de convulsão testemunhado por mim e por uma enfermeira que, nessa altura, fazia a ronda pelos quartos.
Ele estava deitado de bruços e tremeu apenas de um dos lados! Assustei-me, chamei a enfermeira que, tendo visto mesmo, chamou logo a pediatra da Unidade de Cuidados Especiais Neonatais que o internou de imediato!
Foram nove dias. Nove dias de recolhas diárias de sangue, electroencefalograma, ecocardiografia, punção lombar, ecografia transfontanelar, algaliação, fios e máquinas com "bips" irritantes a toda a hora, etc, etc, etc.
Nove dias em que chorei muito, em que me agarrei ao meu senhor, em que travei conhecimento com outros pais cujos filhos também ali estavam, muitos deles havia meses!!!!!
Nove dias em que conheci de perto a realidade e o sofrimento por que passam os prematuros e os seus pais, mas também a fibra de que são feitos aqueles verdadeiros GUERREIROS!
Nove dias em que entrava às 8:30 naquela Unidade e só saía às 22:30, em que o meu ritmo era pautado pelo ritmo das refeições do meu filho, em que adormecia com ele ao colo, sentada no cadeirão da amamentação...
Nove dias em que me apercebi que o meu bebé era alguém muito forte e especial.
Nove dias que ontem tiveram o seu desfecho com a última consulta de acompanhamento no Hospital.
Segundo a médica, ele está a desenvolver-se bem, pelo que não necessita de mais consultas ali.
Pediu-me para esquecer aqueles nove dias, que já passaram e que foram apenas um acaso sem grande importância. Mas eu não os posso esquecer, pois foi ali que me apercebi que é na dificuldade (e agora na perspectiva de mãe, que já tinha a de filha) que percebemos o quanto podemos ir ao fim do Mundo pelos nossos filhos!
Pude ter a oportunidade de viver aquilo que, 31 anos antes, os meus pais tinham vivido comigo (sendo que, no meu caso, eles até já estavam avisados para a minha "morte iminente", portanto, muito pior).
Não só agradeço a Deus por isso, mas sobretudo por, até agora, não haver nada de errado com a saúde do meu bebé.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Fomos eliminados, sim. E depois?

Demos luta, impusemos dificuldades e respeito ao adversário, nada mais nada menos que o Campeão Europeu e Mundial em título.
E ainda por cima perdemos porque o Bruno Alves atirou à barra, portanto sem qualquer mérito do Casillas.
Foi injusto, pois foi. Mas fizemos uma campanha e pêras! E como costumamos dizer por aqui: "as árvores morrem de pé!"
E eu, que não dava um caracol por esta selecção, surpreendi-me pela positiva, pela qualidade que demonstrámos em todos os jogos!